Existem dois temas que eu sinto enorme prazer em escrever sobre: histórias de pessoas e
vendas. O que trago hoje é justamente a junção desses dois temas em um só.
A história começa no início da década de 80. A cidade é Apucarana, norte do Paraná. O
protagonista se chama Raymundo Soares de Almeida – e ele é meu bisavô materno.
Meu bisavô era um vendedor nato. Durante toda sua vida profissional foi gerente de lojas de
departamento, aposentando como gerente das Casas Pernambucanas em Apucarana.
Depois da aposentadoria continuou no mundo das vendas: tornou-se representante
comercial.
No início da aposentadoria passou a vender calendários e cartões de Natal para empresas.
Hoje é até difícil pensar em uma empresa sobreviver apenas desses dois produtos, não é?
Depois, quando parte da sua família estava morando na capital matogrossense Cuiabá, ele
teve uma representada de Guaraná. Mas, o guaraná que ele representava não era a bebida
em garrafas como vemos nos mercados. Era o produto em pó ou em bastão, daqueles que
você pode ralar em casa.
E foi com esse último produto que ele desenvolveu sua própria forma de ter um
relacionamento próximo aos clientes.
Em um fichário, ele mantinha as fichas de cada um dos seus clientes. Lá tinha as principais
informações: nome, telefone, endereço. Junto ele mantinha anotado o tipo de produto que o
cliente consumia, datas de compra e seguindo uma média de tempo de recompra do cliente,
ele anotava quando o guaraná iria acabar para entrar em contato e fazer uma visita.
E suas anotações seguiam um padrão: eram todas feitas com caneta BIC de tinta verde.
Sensacional! Quem trabalha com vendas sabe o quanto isso (que hoje podemos chamar de
follow-up, pós-vendas, Sucesso do cliente, timing…) faz uma diferença enorme entre o
cliente comprar de você ou do concorrente. Seo Raymundo não dava tempo para o
concorrente ir bater na porta do seu cliente oferecendo pó de guaraná.
Meu bisavô só parou os negócios quando foi forçado a parar, depois de ser atropelado e ter
parte dos seus movimentos comprometidos. Mas isso ele já tinha mais de 85 anos!

Meu primeiro contato com CRM foi quando iniciei minha carreira em Inbound Marketing.
Hoje falo muito sobre esse assunto e continuo muito próxima do mundo das vendas. Vejo
como conhecer seu cliente, seus gostos, padrões de compras e estar muito perto são
características de vendedores que realmente querem vencer a guerra diária que podem ser
mercados competitivos.
Sei de outros vendedores da "velha guarda" que faziam o papel de CRM por exemplo em
cadernetas de mercearias. E você? Conhece algum vendedor que muito antes da
tecnologia já sabia como estar perto dos clientes? Me conte nos comentários! 

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